sexta-feira, 11 de maio de 2018

IPEA e a escravidão, o racismo e a morte de negros

No estudo "Vidas Perdidas e Racismo no Brasil", o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), uma fundação pública federal vinculada ao Ministério do Planejamento, conecta o alto número de assassinatos de negros a escravidão e ao racismo.

Já na introdução de sua nota técnica o leitor se depara com uma afirmação problemática:
"...a crença em torno de uma raça inferior – que era a ideologia que sustentava a escravidão – não se esgotou com a abolição, mas se perpetuou..."

Como explica o teórico social e economista Thomas Sowell (Fallacies of Race), a escravidão é uma instituição universal que existiu durante milênios e que é encontrada desde os primeiros registros de existência dos seres humanos. Descobertas arqueológicas indicam que a escravidão existia antes mesmo dos humanos serem capazes de ler e escrever, e que diferenças raciais entre escravos e aqueles que os escravizaram são um fenomeno relativamente recente. Os europeus escravizaram eslavos por séculos antes de levar o primeiro negro para o continente americano.   

A própria Bíblia regula a escravidão de membros do próprio povo ao legislar acerca do "escravo hebreu" (Êxodo 21), como no caso de um ladrão que não consegue reembolsar o que roubou. 
O ladrão é vendido pelo tribunal a fim de reembolsar a vítima de seu crime com o dinheiro da venda. Ele é vendido pelo tempo necessário para devolver o dinheiro que roubou por um prazo de até seis anos.

Sowell ainda afirma que em poucos lugares a raça se tornou fator determinante na escravidão. Um desses lugares é o seu próprio país, os EUA. Ele explica que lá o racismo foi consequência da escravidão - e não sua causa - devido a uma contradição entre o que pregava a Declaração de Independência americana e a realidade - o documento afirma que "todos os homens são criados iguais". Então, segundo ele, nesta situação só seria possível justificar a prática entendendo que alguns homens são menos que homens.


_________________________________________
_________________________________________

E é neste momento que ele menciona o Brasil, fazendo uma distinção entre a escravidão praticada nos EUA e aqui. O Brasil importou mais escravos que os Estados Unidos, mas como o país não era um estado democrático esta questão nunca surgiu. Não houve por aqui uma ideologia que defendesse a inferioridade racial e que justificasse a escravidão com base nisso.

 

Adiante, na página 4, o estudo traça uma relação causal entre criminalidade/uma maior probabilidade de vitimização violenta e condições socioeconômicas inferiores/menores níveis educacionais.  

Mas como ensina Olavo de Carvalho em seu artigo "Experimento sociológico": 
Nenhuma correlação causal (entre pobreza e crime ou entre qualquer coisa e qualquer outra) pode ser generalizada para um grupo abrangente de casos sem que esteja muito bem provada ao menos em alguns deles individualmente. Ora, na escala individual a pobreza só pode ser justificação direta e determinante do crime em exemplos excepcionais e raros – tão excepcionais e raros, na verdade, que em todo país civilizado a lei os isenta da qualificação mesma de crimes. São os chamados “crimes famélicos” – o desnutrido que rouba um frango, ou o pai sem tostão que furta um remédio para dar ao filho doente. Em todos os demais casos, a pobreza, se está presente, é um elemento motivacional que, para produzir o crime, tem de se combinar com uma multidão de outros, de ordem cultural e psicológica, entre os quais, é claro, a persuasão pessoal de que delinqüir é a coisa mais vantajosa a fazer nas circunstâncias dadas. Quando o hábito da delinqüência se espalha rapidamente numa ampla faixa populacional, é claro que, antes dele, essa persuasão se tornou crença geral nesse meio, reforçando-se à medida que as vantagens esperadas eram confirmadas pela experiência

Ainda no mesmo trecho o estudo também culpa as "maiores dificuldades de acesso à Justiça e a mecanismos de solução de conflitos [e o] menor acesso a mecanismos de proteção" pela "vitimização violenta" de negros. Somando-se a estes motivos as condições socioeconômicas e menores níveis educacionais mencionados anteriormente, temos -- com a exceção da escravidão -- toda a gama de motivos que, de acordo com o estudo, é responsável pela vitimização de negros. 

Mas se é este o caso, devemos então nos perguntar por qual motivo o mesmo fenômeno não se repete na cidade israelense de Bnei Brak.

Bnei Brak, que fica no distrito de Tel-Aviv, é a cidade mais pobre de Israel, com uma renda per capita de aproximadamente 2200 reais. Sua população é praticamente toda formada por ultra-ortodoxos com pouca educação secular formal e que se dedicam quase que exclusivamente a estudos religiosos. 

A população tende a evitar o uso da Justiça secular e, em vez disso, recorre a tribunais religiosos formados por rabinos com autoridade para julgar apenas casos cíveis. Além disso, a cidade conta com um dos menores efetivos policiais do país inteiro. Bnei Brak é, também, de acordo com estatísticas policiais, "a cidade mais segura" do país. 

Na página 5, o estudo  reproduz a acusação de racismo institucional, na qual "ações difusas no cotidiano de determinadas organizações do Estado terminam por reforçar o preconceito de cor":
Um caso particular de racismo institucional envolve o funcionamento das polícias em muitas localidades do país. Essas organizações constituem a ponta do sistema de justiça criminal mais perto do cidadão e, portanto, são elas que primeiro deveriam resguardar os direitos civis, a isonomia de tratamento ao cidadão e a sua incolumidade física. No entanto, não é difícil colecionar situações em que as abordagens policiais e o uso excessivo da força são totalmente diferenciados quando as relações se dão com cidadãos negros.  
Apesar de afirmarem que não é difícil colecionar situações que confirmem a tese, os autores do estudo não oferecem nenhuma. Limitam-se a mencionar um fato que demole sua acusação, como se o ato de reconhecer o óbvio antecipadamente fosse uma resposta aos que futuramente venham levantar a objeção. 
A isso se soma uma analogia com o machismo que de forma nenhuma explica a razão de uma corporação em muitos lugares formada majoritariamente por negros atuar de forma sistematicamente racista contra outros negros:  
É curioso notar que a força de trabalho nas corporações policiais, em muitas regiões do país, é constituída em grande parte por negros, sendo que muitas vezes o próprio policial negro reproduz os valores e a ideologia do racismo. Poderia se fazer uma analogia com o machismo, em que as mulheres são as que sofrem com o problema e, ao mesmo tempo, muitas vezes terminam elas mesmas por reproduzir a cultura machista na educação dos filhos.

Não há estudos confiáveis no Brasil que analisem as diferenças na abordagem policial de negros e brancos. Mas a realidade -- e não o preconceito e o racismo internalizado  e subconsciente -- explica a diferença: negros são as maiores vítimas e também os maiores responsáveis pela ação criminosa violenta no país, como mostra o estudo conduzido pela pesquisadora Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro ("Mensurando o Tempo do Processo de Homicídio Doloso em Cinco Capitais") e de acordo com maioria dos especialistas em segurança pública. 

Para apoiar sua acusação, os autores do documento do IPEA mencionam um estudo intitulado "Seguranca Pública e Racismo Institucional", que afirma que a segurança pública é uma das esferas da ação estatal em que a seletividade racial se torna mais patente: 

Há grande desigualdade entre brancos e negros no que diz respeito à distribuição da segurança. Esta desigualdade é explicitada pelas maiores taxas de vitimização da população negra. Pode-se tomar como referência a taxa de homicídios.
Aqui o estudo mencionado toma o que também é consequência apenas como causa. Os autores afirmam que as "maiores taxas de vitimização da população negra" são causadas pela desigualdade na distribuição da segurança, mas o fato é que a extrema violência nas favelas e a dificuldade de atuar em locais onde a população certamente será vítima colateral das ações policiais e do confronto com criminosos reduzem a possibilidade de ação estatal e do uso da força no combate ao crime. 


A atuação de ONGs, organizações de direitos humanos e de organizações comunitárias dominadas pelo tráfico, como a Anistia Internacional e o Viva Rio, também contribui para o caos com suas demandas que praticamente impedem ações policiais efetivas, transformando esses grupos em protetores de fato dos criminosos. Isso quando não são seus aliados e cúmplices, como no famoso caso envolvendo o líder comunitário da rocinha William Oliveira, que foi preso porque flagrado vendendo um fuzil de fabricação russa, avaliado em R$ 50 mil, ao traficante Nem. 

Rubens Cesar Fernandes, o chefe do Viva Rio, protestou publicamente contra a prisão e ainda defendeu o criminoso:



Aspectos sócio-econômicos omitidos pelos estudos brasileiros  e presentes nos americanos

  • De acordo com Jason Riley, "as taxas de criminalidade dos negros eram menores nos anos 40 e 50, quando a pobreza negra era maior" e "a discriminação racial era desenfreada e legal".
  • De acordo com diversos estudos, há uma ligação direta entre o colapso da família e a violência juvenil.

As pesquisas brasileiras tendem a ignorar explicações que sejam incômodas as narrativas influentes na imprensa e nas universidades nacionais, como aquelas que apontam o enfraquecimento da família tradicional como uma das principais responsáveis pelo caos social e as que demonstram que a melhoria nos índices sócio-econômicos entre negros e pobres nas últimas décadas acompanhou o aumento da violência.


Como mostra o economista Thomas Sowell, antes da década de 1960 "a maioria das crianças negras era criada em famílias formadas pelos dois pais". Em 2013, mais de 72% dos negros nasceram fora do casamento. No condado de Cook - onde fica Chicago, um dos locais mais violentos dos EUA - 79% dos negros nasceram de mães solteiras em 2003, enquanto apenas 15% dos brancos são filhos de mães solteiras.



quinta-feira, 10 de maio de 2018

Violência contra negros no Brasil

No fim de 2017 a ONU lançou a campanha 'Vidas Negras' que, de acordo com a organização, busca dar "visibilidade ao problema da violência contra a juventude negra no país" e "chamar atenção e sensibilizar para os impactos do racismo".

A campanha






















O site da campanha, que afirma que no Brasil sete em cada dez pessoas assassinadas são negras, também traz opiniões de artistas negros que culpam o racismo pela situação. 

Taís Araújo afirma que “chegou a hora de acabar com o racismo que mata milhares de jovens negros todos os anos!” enquanto Elisa Lucinda, outra atriz da Globo, diz que “o racismo mata!”, assim deixando claro que tanto as atrizes quanto a campanha da ONU consideram que as mortes violentas de negros têm relação direta com o racismo.

A narrativa iniciada pela ONU logo foi adotada pela imprensa e pelo governo. Ainda no mês de novembro diversos veículos publicaram artigos e notícias sobre o assunto: 

Carta Capital: Atlas da Violência 2017: negros e jovens são as maiores vítimas

G1, da Globo: Negros representam 71% das vítimas de homicídios no país, diz levantamento 
O texto é acompanhado por um suposto caso de racismo cometido contra o ator Diogo Cintra, fazendo assim uma associação entre o racismo que teria vitimado o ator e os assassinatos de negros, que também seriam motivados pelo mesmo fenômeno.

Agência Brasil, do Governo Federal: ONU lança campanha no Brasil para alertar sobre violência contra negros 
O repórter Jonas Valente traz a opinião de políticos, ativistas e acadêmicos. Todos seguindo a mesma linha:

De acordo com a pesquisadora da Universidade de Brasília Kelly Quirino, "a redução da violência contra jovens negros passa pela mudança da política de combate às drogas e pelo desarmamento da polícia".

Para Luana Ferreira, assessora da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Ministério dos Direitos Humanos, "O desafio cotidiano da Seppir é dizer que vidas negras importam".

Já  o secretário de Juventude do governo federal, Assis Filho, foi ainda mais longe ao afirmar que o governo está atuando contra o "genocídio dos negros no Brasil"


Um dado importantíssimo omitido tanto pela ONU quanto pela imprensa, e que vai de encontro a narrativa sobre a motivação racista dos assassinatos, diz respeito a autoria dos crimes. 

Após meses de campanhas na TV, artigos e notícias martelando incessantemente a narrativa da ONU, a fantasia foi obrigada a ceder lugar aos fatos  ainda que nem de longe com a mesma visibilidade. 

De acordo com dados oficiais e especialistas, tanto as vítimas quanto os assassinos são, em sua maioria, negros.

Isso é o que informa a Folha de São Paulo em abril de 2018, na matéria intitulada "Homens, negros e jovens são os que mais morrem e os que mais matam".

O texto traz o estudo "Mensurando o Tempo do Processo de Homicídio Doloso em Cinco Capitais" (2014), da pesquisadora da FGV Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro.
O trabalho analisa mortes ocorridas em 2013, com autoria identificada, em Belém, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre e Recife.

Os autores dos crimes tinham as mesmas características da maioria das vítimas: homens, negros e jovens.

Isso é o mesmo que afirmam especialistas ouvidos pelo G1 (março de 2018):
"É consenso entre a maioria dos especialistas ouvidos pelo G1 que o perfil de quem mata é parecido com o perfil de quem morre. Em geral, apontam, são homens negros de baixa renda, com baixa escolaridade, com até 29 anos, e moradores da periferia – especialmente locais onde o Estado é ausente e não atua com políticas públicas.
Os especialistas afirmam ainda que as mortes costumam ter alguma relação com o tráfico de drogas. Para eles, o aumento no número de crimes violentos está ligado ao fortalecimento e às brigas de facções criminosas. As mortes também são facilitadas pela crescente oferta e circulação de armas de fogo, dizem."

Esta parte é geralmente omitida por demagogos que tentam transformar em questão racial o problema dos homicídios – o maior do país –, que atinge brasileiros de todas as cores.



terça-feira, 8 de maio de 2018

Cristianismo





Judaísmo



Feminismo





Economia




Imigração